Coronavírus

O pedido de ajuda das funcionárias de um lar em Vila Real

David Gray

Funcionárias do lar gritaram "ajudem-nos" à janela.

Especial Coronavírus

Funcionárias de um lar de Vila Real gritaram esta terça-feira à janela "ajudem-nos" quando o presidente da câmara exigia ao Estado uma "resposta imediata" para a instituição, onde 20 pessoas estão infetadas com a covid-19.

Rui Santos falou à comunicação junto ao Lar da Nossa Senhora das Dores, no centro da cidade, momento que foi aproveitado por algumas funcionárias para lançarem um grito de socorro.

"Queremos ajuda. Queremos fazer os testes", gritaram as profissionais, que traziam colocada uma máscara na cara. Uma delas referiu estar no lar "há sete dias".

Rui Santos trocou palavras com elas desde a rua e garantiu estar a fazer "tudo o que é possível" para resolver o problema.

"Se for preciso pagamos os testes. Eu quero saber se estou bem, mas também quero saber dos idosos", gritou ainda a funcionária.

Para o autarca, que falava após uma reunião da Proteção Civil Municipal, "o momento é de profunda preocupação".

A Unidade de Saúde Pública do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Marão e Douro Norte determinou esta terça-feira o isolamento de todos os casos positivos detetados neste lar, designadamente 13 utentes e sete funcionários.

Determinou ainda o isolamento profilático dos restantes 59 utentes e 50 profissionais, incluindo um funcionário que aguarda resultado do teste que foi realizado pelo Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).

Segundo Rui Santos, só foram testados os que apresentavam sintomatologia.

O primeiro caso positivo da covid-19 nesta instituição foi detetado no domingo, tratando-se de um doente oncológico.

Aos jornalistas, o presidente da Câmara de Vila Real disse que foi enviada uma missiva ao Governo a pedir a evacuação do lar, onde disse que "não há, neste momento, nenhum enfermeiro" para apoio aos idosos.

Não há também "ninguém com equipamento ou condições de entrar no espaço e substituir os funcionários que lá estão, em profundo estado de exaustão e a dar o seu melhor", acrescentou.

"Mas não podem aguentar muitas mais horas as 13 funcionárias para cerca de 74 utentes que estão, neste momento, dentro deste lar", alertou.

O autarca apontou como solução a transferência dos utentes para o hospital militar do Porto.

"É uma situação absolutamente dramática. Exijo ao Estado central que imediatamente atenda a esta nossa solicitação e venha socorrer estas pessoas", frisou Rui Santos.

Na sua opinião é preciso "rapidamente evacuar o lar, pôr os funcionários em isolamento profilático e prestar um serviço de qualidade a todos os utentes" que aí estão.

"É um processo que já se prolonga há demasiadas horas, há demasiados dias", realçou.

O autarca disse que foram contactados os ministérios da Saúde e da Segurança Social, a Proteção Civil Distrital, bem como o INEM.

"A situação é demasiado grave, é uma situação de exceção para estarem todos a empurrar responsabilidades de um lado para o outro. É uma situação de emergência e precisamos de agir rapidamente", frisou.

Precisamente por causa desta cadeia de contacto identificada no Lar da Nossa Senhora das Dores, o município acionou hoje o plano municipal de emergência.

A autarquia explicou que esta ativação decorre essencialmente da "necessidade de aprofundar a articulação entre as várias entidades com um papel na pandemia de covid-19 e de centralizar a informação sobre todas as questões relacionadas com o combate".

Em Portugal, há 33 mortes, mais 10 do que na véspera, e 2.362 infeções confirmadas, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, que regista 302 novos casos em relação a segunda-feira (mais 14,7%).

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