Cimeira do Clima COP26

COP26: os grandes problemas do clima e como resolvê-los

Frank Augstein / AP

As emissões de gases com efeito de estufa têm várias origens, sendo a produção de combustíveis fósseis a maior responsável. Mas há mais culpados, quase todos da responsabilidade do ser humano.

A ciência é clara: para limitar o aquecimento global a +1,5°C devemos primeiro reduzir as emissões de gases poluentes para metade até 2030. Mas o caminho para alcançar este objetivo tem demasiadas pedras e envolve uma miríade de escolhas radicais para transformar todos os setores da economia.

Um dos planos de ação para se reduzir as emissões de gases poluentes é o abandono gradual dos combustíveis fósseis, que são particularmente poluentes.

Num estudo divulgado a duas semanas da conferência do clima COP26, a ONU alerta que as metas do acordo de Paris estão em risco porque, apesar das declarações de intenção para reduzir a emissão de gases poluentes e controlar as alterações climáticas, vários governos têm planos para duplicar a extração de combustíveis fósseis - carvão, petróleo e gás - nos próximos anos.

Os planos de produção de combustíveis fósseis - carvão, petróleo e gás - a nível mundial, continuam a ser "um perigo" à luz dos objetivos de Paris, segundo o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUE/UNEP).

Concentração de gases poluentes bateu novo recorde em 2020

No seu último relatório, publicado a uma semaan da COP26, a Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência das Nações Unidas, mostra que, mais uma vez, as concentrações dos três principais gases com efeito de estufa, que retêm o calor da atmosfera, atingiram o pico em 2020.

A desaceleração económica imposta pela pandemia de covid-19 "não teve um impacto percetível" sobre o nível e a progressão dos gases com efeito de estufa na atmosfera, apesar de um declínio temporário nas novas emissões, observa a OMM.

A taxa anual de 2020 de aumento nas concentrações de dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O) até superou a média do período 2011-2020, assinala a agência.

Os grandes emissores de gases poluentes

Energia, agricultura, construção, transportes, indústria e florestas: segundo a ONU estes são os setores que têm de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa - dióxido de carbono (CO2), metano, óxido nitroso (NO2)...).

  • Energia

A produção de energia é dos maiores responsáveis pelas emissões poluentes, sobretudo a produção de eletricidade.

  • Carvão

As centrais a carvão são responsáveis por 40% das emissões poluentes para produção de energia e devem ser abandonadas.

O plano da Agência Internacional de Energia (AIE) prevê a neutralidade carbónica no setor elétrico em 2040, o que significa instalar quatro vezes mais capacidade solar e eólica até 2030 do que em 2020.

  • Transportes, agricultura e indústria

O problema é que a eletricidade verde não é suficiente para a procura de energia.

Para os transportes a AIE apela ao fim da venda de novos veículos de combustão em 2035.

Na agricultura, é preciso atacar os pesticidas responsáveis pelas emissões de óxido nitroso (N20); é preciso modificar as dietas, comer menos carne, sobretudo carne bovina, uma vez que as vacas geram emissões significativas de metano.

É preciso fazer a renovação energética das habitações, desenvolver novos processos produtivos em diversos setores industriais como o aço e o betão. E parar a desflorestação e restaurar solos e florestas, sumidouros naturais de carbono.

Por onde começamos? O que tem de ser feito a nível mundial e local?

O acordo sobre o clima alcançado em 2015 em Paris, e assinado pela quase totalidade dos países do mundo, visa limitar o aquecimento global abaixo dos 2°C e se possível abaixo dos 1,5°C em relação à era pré-industrial.

As medidas mais importantes que cada país tem de implementar, segundo os objetivos da COP26:

  1. fazer uma transição mais rápida para carros elétricos
  2. acelerar o fim da utilização da energia a carvão
  3. garantir maior proteção das pessoas mais vulneráveis aos impactos das alterações climáticas, como o financiamento de sistemas de defesa costeira.

1. Fazer uma transição mais rápida para carros elétricos

O transporte rodoviário é responsável por 10% das emissões globais e as suas emissões estão a aumentar mais rapidamente do que as de qualquer outro setor.

Já está a acontecer uma mudança a nível mundial para veículos com emissão zero, mas está a ser lenta. Para cumprir as metas do Acordo de Paris, essa transição tem de ser mais rápida e deve incluir não apenas carros, mas carrinhas, autocarros e camiões.

2. Acelerar a transição do carvão para energia limpa

O setor de energia é responsável por um quarto das emissões globais de gases com efeito de estufa.

Para cumprir os objetivos do Acordo de Paris, é preciso acabar com o carvão e utilizar energias limpas cinco vezes mais rapidamente do que o ritmo atual.

3. Proteger a natureza e as pessoas mais vulneráveis aos impactos das alterações climáticas

Por todo o mundo, milhões de pessoas já vivem em condições climáticas extremas e devastadoras, cada vez mais agravadas pelas alterações climáticas. Mesmo trabalhando incansavelmente para reduzir as emissões, são inevitáveis mais mudanças.

Precisamos de mais ações para prevenir e minimizar as perdas e danos que já estão a acontecer.

  • Planos e mais financiamento para melhorar os sistemas de alerta precoce, as defesas contra inundações e construir uma infraestrutura e agricultura resilientes para evitar mais perdas de vidas, meios de subsistência e habitats naturais.
  • Proteger e restaurar habitats para aumentar a resiliência aos impactos das alterações climáticas. Além de constituírem defesas naturais contra tempestades e inundações, se forem ecossistemas prósperos contribuem para a agricultura sustentável e a blimentação de milhões de pessoas.
  • Todos os países devem ter um Plano de Adaptação, que é um resumo do que estão a fazer e a planear na adaptação aos impactos das alterações climáticas, aos desafios que enfrentam e onde precisam de ajuda.

O que isto tudo significa para o nosso modo de vida?

Uma mudança radical. Precisamos todos, governos, empresas, indivíduos, de transformar tudo e de uma forma radical.

"Mudar a forma como produzimos e consumimos energia, a forma como produzimos os bens industriais, a forma como nos movemos, a forma como nos aquecemos, a forma como comemos", revela o relatório do IPCC.

É uma questão de escolhas. Não apenas a nível governamental, são escolhas a também a nível individual

Pequenos gestos para limitar o nosso impacto sobre o clima:

  • Viajar menos de avião
  • Usar menos o carro ou usar um carro elétrico
  • Comprar eletrodomésticos eficientes
  • Trocar o aquecimento a gás por bomba de calor a eletricidade
  • Isolar a casa

O que acontece num mundo com +1,5ºC

A verdade é que se os objetivos da cimeira não forem atingidos, as consequências do aumento da temperatura serão catastróficas.

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