Afeganistão

Afeganistão: talibãs querem falar na Assembleia Geral da ONU

Timothy A. Clary

Secretário-geral da ONU, António Guterres, recebeu o pedido do Governo talibã na segunda-feira.

Os líderes do regime talibã pediram às Nações Unidas para falarem na Assembleia Geral em nome do Afeganistão.

A informação foi confirmada pelo porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, que adiantou que o secretário-geral António Guterres recebeu uma carta, na segunda-feira, na qual os talibãs solicitavam a presença no debate que reúne os líderes mundiais.

Após quase duas décadas de presença de forças militares norte-americanas e da NATO, os talibãs tomaram o poder em Cabul a 15 de agosto, culminando uma rápida ofensiva que os levou a controlar as capitais de 33 das 34 províncias afegãs em apenas 10 dias.

Desde então, os combatentes islamitas radicais asseguraram em várias ocasiões a intenção de formar um Governo islâmico "inclusivo", que representasse todas as tribos e etnias do Afeganistão, mas em 7 de setembro anunciaram um governo totalmente masculino, só com ministros talibãs, incluindo veteranos da sua linha dura, que governou o país entre 1996 e 2001, e da luta de 20 anos contra a coligação internacional liderada pelos Estados Unidos.

Mulheres em protesto em Cabul para exigir reposição de direitos

Mais de uma dezena de mulheres protestaram na capital do Afeganistão para pedir a participação das mulheres na vida pública.

A manifestação seguiu-se a uma diretiva anunciada pelo presidente da Câmara interino de Cabul, segundo a qual as mulheres que trabalham para o governo devem ficar em casa, a não ser que não possam ser substituídas por um homem.

O protesto de domingo foi seguido de perto por combatentes talibãs. Ao fim de 10 minutos e depois de serem abordadas por um extremista que as ameaçou, as mulheres entraram em carros e terminaram a manifestação.

Talibãs anunciam que raparigas vão poder regressar à escola no Afeganistão

O Governo talibã anunciou esta terça-feira que as raparigas vão poder voltar à escola, no Afeganistão. Não disseram quando isso acontecerá, mas garantiram que estão a trabalhar para que seja o mais brevemente possível.

Os rapazes já regressaram às escolas no sábado passado, depois de várias semanas de interrupção, enquanto as famílias receberam ordens para deixarem as filhas em casa. Uma decisão que já mereceu duras críticas por parte do ex-Presidente afegão, Hamid Karzai.

Entretanto, foram nomeados vários ministros, completando a formação do Executivo, que não inclui qualquer mulher. Foi também extinto o Ministério para os Assuntos das Mulheres.

Ao mesmo tempo, e porque o Afeganistão enfrenta uma séria crise humanitária, que não vai conseguir resolver sem ajuda internacional, começaram já as reuniões com os mais altos representantes das grandes agências internacionais.

Esta terça-feira, esteve em Cabul o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, que se encontrou com vários membros do Governo para discutir a melhor forma de garantir cuidados de saúde para os milhões de afegãos que, na sua maioria, nem sequer têm acesso a um médico ou hospital.

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