À conquista de Marte

Verão 2020: escapadela a Marte

NASA NASA

O verão deste ano não ficará apenas marcado pela pandemia: três países lançam três missões ao planeta vermelho, dois deles estreantes nas lides espaciais.

Neste mês de julho estão previstas três missões ao planeta do nosso sistema solar que oferece duas das maiores esperanças da humanidade: detetar vida extraterrestre, nem que seja já extinta, e de um dia lá colocar o pé.

Porque razão todos os lançamentos são em julho?

Devido a alinhamentos cósmicos.

O ciclo da mecânica dos astros oferece apenas uma janela de oportunidade a cada 26 meses. Esta é a altura em que a distância entre Marte e a Terra é a mais curta, o que facilita a viagem (55 milhões de quilómetros, cerca de seis meses de viagem apesar de tudo).

Em média, a distância entre Marte e a Terra é de 76 milhões de quilómetros.

À conquista de Marte: a "Esperança" árabe

A primeira sonda interplanetária árabe da História chama-se "Esperança" - "Al-Amal" e é lançada pelos Emirados Árabes Unidos a partir da ilha de Tanegashima, no Japão.

Partindo do princípio que lançamento e viagem de seis meses correm na perfeição, a sonda vai estudar a atmosfera de Marte.

O lançamento da sonda tem sido sucessivamente adiado depois de inicialmente previsto para 15 de julho. A razão apontada tem sido sempre o mau tempo na ilha de Tanegashima.

A sonda árabe deverá chegar a Marte em fevereiro de 2021, para assinalar os 50 anos da unificação dos Emirados, uma federação de sete Estados.

Sonda "Al-Amal/Esperança" dos Emirados Árabes Unidos

Sonda "Al-Amal/Esperança" dos Emirados Árabes Unidos

Alexander McNabb / AP

À conquista de Marte: China lança "Questões aos Céus"

Na grelha de partida está também o foguetão chinês "Longa Marcha 5" que levará a bordo a sonda "Tianwen" ("Questões aos Céus") e um pequeno robô teleguiado.

Esta é também uma estreia marciana para a China que quer expandir a sua influência no espaço - já participa na Estação Espacial Internacional, está a construir a sua própria estação espacial e quer enviar os seus homens até à Lua.

Nos últimos 17 anos, a China tem apostado no programa espacial para se tornar numa potência mundial na próxima década, a par dos Estados Unidos e da Rússia.

Tianwen-1

Tianwen-1

À conquista de Marte: a Perseverança norte-americana

A missão da NASA "Marte 2020" deverá partir a 30 de julho para colocar no planeta vermelho um veículo robotizado, o rover "Perseverance".

Terá como missão vasculhar a superfície de Marte à procura de vestígios de vida. A ideia, nunca concretizada, é a de recolher amostras e enviá-las para a Terra.

Quando alcançar Marte, no início de 2021, vai encontrar a sua compatriota Curiosity.

Missão a Marte europeia e russa adiada

A missão russo-europeia "ExoMars" esperava também lançar este verão um robô para Marte mas teve de ser adiada para 2022, vítima de dificuldades técnicas agravadas pela pandemia de Covid-19.

Marte, uma pepita científica

Essa corrida para o planeta vermelho não é nova. Desde os anos 1960 que esta verdadeira pepita científica tem recebido, no solo ou em órbita, várias dezenas de sondas, a maioria norte-americana. Muitas não tiveram sucesso.

Nos anos 2000, o interesse renovou-se com uma descoberta que veio provar que, num tempo longínquo, correu água líquida na superfície agora árida e rochosa..A atração aumentou e o nosso vizinho do lado tornou-se a prioridade da exploração espacial de vários países.


Marte: a última fronteira onde o Homem poderá ir

Tal como há 50 anos aconteceu com a Lua, Estados Unidos, Europa, Índia, China, Emirados Árabes Unidos e,Japão - que tem uma missão prevista para explorar Phobos, uma das luas do planeta vermelho para 2024 - todos querem marcar pontos nesta nova corrida espacial e afirmar-se como poder científico e espacial.

Com outro sonho em mente, mais distante: o de contribuir para a aventura da exploração humana em Marte, que representa a última fronteira onde o Homem pode ir.

O objetivo de um voo tripulado até Marte é, por enquanto, apenas seriamente considerado pelos Estados Unidos, os únicos que tê feito estudos detalhados sobre a viabilidade de tal aventura. Mas outras nações poderão ainda vir a participar.

Mas os Emirados Árabes Unidos também têm os seus planos: construir uma colónia em Marte até 2117. Para tal já estão a avançar com um protótipo a ser construído no deserto, a "Cidade das Ciências" que vai reproduzir as condições ambientais de Marte.

À procura de vida num imenso deserto gelado

Hoje em dia, Marte não passa de um imenso deserto gelado, que lentamente perdeu a sua densa atmosfera após uma gigantesca mudança climática, há aproximadamente 3,5 mil milhões de anos, e já não está protegido da radiação cósmica. Em resumo, nada habitável tal como é ou que permita que algum dia possa ser transformado numa "segunda Terra".

Mas a primeira questão que os cientistas querem ver respondida é saber se Marte já foi habitada, quando exisitam condições para uma vida metabólica (micróbios por exemplo).

"Há quatro mil milhões de anos, as condições à superfície do planeta eram muito próximas às da Terra no momento em que a vida apareceu", com uma atmosfera densa, água líquida, explica à AFP Jorge Vago responsável científico da missão ExoMars da Agência Espacial Europeia (ESA).

Então, por que existe vida na Terra e, ao que tudo indica, já não existe em Marte - caso alguma vez tenha existido?

Esta é a pergunta que os vários robôs que cruzaram e cruzam a superfície marciana têm tentado responder, como está atualmente a fazer a missão Curiosity da NASA a quem em breve se juntará o robô Perseverance da missão Mars 2020.

Is there life on Mars?