À conquista de Marte

À conquista de Marte: a "Esperança" árabe

Sarah Amiri, vice-presidente da missão a Marte dos Emirados Árabes Unidos

Kamran Jebreili / AP

Os Emirados Árabes Unidos lançaram este domingo uma sonda para o planeta vermelho com um objetivo muito ambicioso: construir uma colónia humana nos próximos 100 anos.

Os Emirados Árabes Unidos lançaram uma sonda para Marte este domingo, uma estreia para este país rico do Golfo Pérsico que também quer entrar na era espacial, depois dos primeiros passos com uma série de satélites já em funcionamento e de ter enviado o seu primeiro astronauta para a Estação Espacial Internacional.

Sonda "Al-Amal/Esperança" dos Emirados Árabes Unidos

Sonda "Al-Amal/Esperança" dos Emirados Árabes Unidos

Alexander McNabb / AP

Chamada "Esperança", "Al-Amal" em árabe, a sonda emiradense é um símbolo das ambições de um país com crescente influência na região. Este riquíssimo país do Golfo Pérsico pretende assim entrar no clube restrito dos países que já estão na "corrida à conquista de Marte". Apenas os EUA, a ex-União Soviética, a Agência Espacial Europeia e a Índia colocaram com sucesso sondas no planeta ou na sua órbita. A China prepara-se agora para enviar o primeiro robô.

A "Al-Amal" é hoje lançada a partir do centro espacial japonês de Tanegashima num foguetão H-IIA da agência espacial japonesa JAXA..

Inicialmente previsto para 15 de julho, (ainda 14 de julho em Portugal), depois para 16, o lançamento tem sido sucessivamente adiado devido ao mau tempo.

O objetivo é que a sonda árabe chegue a Marte em fevereiro de 2021 para assinalar os 50 anos da unificação dos Emirados, uma federação de sete Estados.

https://www.emiratesmarsmission.ae/

Primeiro passo para uma colónia em Marte

Com esta primeira missão que irá estudar a atmosfera e a meteorologia do planeta, os Emirados querem abrir caminho para um objetivo ambicioso: a construção de uma colónia humana em Marte nos próximos 100 anos.

Um dos emirados, o Dubai, já contratou arquitetos, engenheiros, desiners e cientistas para imaginarem como será essa colónia marciana e o projeto vai ser criado no deserto. A "Cidade da Ciência de Marte" vai custar, no mínimo 500 milhões de dirhams - mais de 120 milhões de euros.

Mars Science City, projeto de uma colónia em Marte dos Emirados Árabes Unidos

Mars Science City, projeto de uma colónia em Marte dos Emirados Árabes Unidos

Em setembro de 2019, o emiradense Hazza al-Mansouri tornou-se o primeiro árabe a viajar para a Estação Espacial Internacional (ISS), onde chegou a bordo de um foguetão russo Soyuz.

"Os nossos avós seguiram as estrelas no seu caminho para a glória. Hoje, os nossos filhos observam-nas para construir o seu futuro", escreveu no Twitter o soberano de Dubai, xeque Mohammed bin Rachid Al-Maktoum, na terça-feira, data inicial do lançamento.

A jovem nação do Golfo, cuja influência se estende do Iémen à Líbia passando pelo Corno de África, espera alcançar um importante protagonismo na região. Já se tornou um centro financeiro e um destino turístico, apesar da desaceleração económica nos últimos anos. É também o primeiro país árabe a ter um programa nuclear civil.

O país, especialmente Dubai, atrai milhões de jovens estrangeiros de todo o mundo, incluindo do Médio Oriente e do Norte da África.

Apesar de algumas críticas às suas intervenções, especialmente no Iémen, a federação é defensora da tolerância e foi o primeiro da península arábica a receber a visita de um Papa católico.

"Vetores de mudança para a região"

Sarah al Amiri, mulher de 33 anos, é a ministra de Tecnologias Aavançadas e vice-presidente do projeto. Vê nesta missão a Marte "uma mensagem de esperança para a região, um exemplo do que é possível [alcançar] se utilizarmos os talentos da juventude e de forma positiva".

"Há mais de 15 anos que estamos a investir no [programa] espacial (...) e colocamos os nossos talentos ao serviço do resto da região", disse à AFP em Tóquio.

Na sequência desta missão a Marte, os Emirados anunciaram que estão abertos a receber jovens de outros países árabes para participarem num programa espacial de três anos.

"Eles podem vir, ganhar experiência, ser vetores de mudança para toda a região, não podemos dizer que esta região é instável e permanecer passivos", sublinhou a ministra.

Fundado em 2006 no Dubai, o Centro Espacial Mohammed Bin Rashid (MBRSC) lidera o projeto para o lançamento da sonda em Marte e em que participaram cerca de 450 pessoas participaram, mais da metade proveniente dos Emirados.

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60 anos de êxitos e fracassos na conquista de Marte

Breve cronologia das dezenas de missões desde os anos 1960 dirigidas pela União Soviética, depois pela Rússia, pelos Estados Unidos, pela Europa e, agora, pela China e pelos Emirados Árabes Unidos.