À conquista de Marte

À conquista de Marte: China lança "Questões aos Céus"

O foguetão "Long March-5" partiu do centro Espacial Wenchang, na província de Hainan, no sul da China.

Carlos Garcia Rawlins / Reuters

Primeira missão marciana da China quer investigar sinais de vida e preparar futuras missões tripuladas.

Gigante na Terra, a China também não quer perder lugar na corrida espacial ao planeta vermelho.

Partiu esta madrugada de 23 de julho o foguetão chinês "Long March-5" que leva a bordo a sonda orbital "Tianwen-1" ("Questões aos Céus") e um pequeno robô teleguiado que deverá pousar em Marte dentro de seis a sete meses.

O foguetão descolou com sucesso do Centro de Lançamento Espacial de Wenchang, na província de Hainan, no sul da ilha.

Não se sabe muito sobre os aparelhos que integram esta missão da Agência Espacial Chinesa. As autoridades chinesas pouco revelam sobre os seus projetos espaciais - que são controlados pelos militares.

"Questões aos Céus"

A missão apelidada "Tianwen-1" é uma homenagem a um antigo poema chinês sobre astronomia.

A China quer colocar a sonda na órbita do planeta e pousar em solo marciano um robô teleguiado para recolher dados científicos.

Mas antes tem de conseguir percorrer cerca de 55 milhões de quilómetros, distância entre a Terra e Marte durante este período de julho/agosto. A partir do momento em que será lançada, a sonda demorará entre 6 a 7 meses a chegar.

Utopia Planitia fotografada em 1971 pela Viking Lander 2 da NASA

Utopia Planitia fotografada em 1971 pela Viking Lander 2 da NASA

NASA

Em fevereiro de 2021, prevê-se que pouse na Utopia Planitia, local fotografado em 1971 pela Viking Lander 2 da NASA que detetou uma fina camada de gelo de água nas rochas e no solo (à esquerda).

O robô teleguiado

Pouco se sabe sobre os engenhos chineses que irão até Marte. Mas segundo um artigo científico publicado na revista Nature Astronomy, sabe-se que o robô teleguiado pesa cerca de 240 quilos, está equipado com quatro painéis solares e tem seis rodas.

O seu objetivo: recoher amostras do solo e analisá-las, analisar a atmosfera, tirar fotografias e assim também contribuir para a cartografia do planeta e, claro, procurar eventuais vestígios de existência de vida no passado.

Deverá estar completamente operacional dois a três meses depois da chegada a Marte e o seu trabalho será cumprido durante cerca de 90 dias marcianos - cerca de metade desse tempo na Terra.

Ilustração da sonda orbital Tianwen-1 e do robô teleguiado

Ilustração da sonda orbital Tianwen-1 e do robô teleguiado

Nature Astronomy

Marte e as ambições espaciais da China

Tal como para os Emirados Árabes Unidos, esta é também uma estreia marciana para a China que quer expandir a sua influência no espaço - já participa na Estação Espacial Internacional, está a construir a sua própria estação espacial, quer enviar os seus próprios astroonautas até à Lua para onde já lançou com uma sonda com sucesso que pousou no lado oculto da Lua.

Nos últimos 17 anos, a China tem apostado no programa espacial para se tornar numa potência mundial na próxima década, a par dos Estados Unidos e da Rússia.

A sonda chinesa Chang'e 4 pousou no lado oculto da Lua a 3 de janeiro de 2019 e levou sementes de algodão, colza, batata, ovos de mosca da fruta e algumas leveduras.

A sonda chinesa Chang'e 4 pousou no lado oculto da Lua a 3 de janeiro de 2019 e levou sementes de algodão, colza, batata, ovos de mosca da fruta e algumas leveduras.

"Coelhos de Jade" na Lua

Com o ambicioso projeto de levar os seus próprios astronautas à Lua, a China já iniciou a exploração do nosso satélite natural. Dois robôs teleguiados - Coelho de Jade 1 e 2 - foram enviados em 2013 e 2019, respetivamente.

O segundo, que seguiu a bordo desta nave Chang'e 4 (em cima), alcançou mesmo um feito inédito ao pousar do lado oculto da Lua, no hemisfério que nunca se vê a partir da Terra, e de onde nos enviou uma impressionante foto panorâmica a 360º.

Estas experiências foram um bom treino com sondas espaciais para a China, mas a distância muito maior entre a Terra e Marte implica que as telecomunicações são bastante mais lentas, além de que uma viagem mais prolongada tem maior probabilidade de dar azo a problemas.

60 anos de êxitos e fracassos na conquista de Marte

Breve cronologia das dezenas de missões desde os anos 1960 dirigidas pela União Soviética, depois pela Rússia, pelos Estados Unidos, pela Europa e, agora, pela China e pelos Emirados Árabes Unidos.