Economia

Confederação do Turismo acredita que o pior da pandemia já passou mas pede apoios do Estado

Setor tem uma quebra estimada para este ano de 56%.

O presidente da Confederação do Turismo diz que o pior da pandemia já passou, mas defende que os apoios do Estado têm de chegar. Francisco Calheiros fala da vergonha de continuar a discutir o futuro aeroporto que tem sido um constrangimento à retoma do setor do turismo.

A pandemia tem sido um desastre para o setor do turismo, com uma quebra estimada para este ano de 56%, números que a Confederação do Turismo acredita que o avanço da vacinação vai inverter.

O presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP) acredita que "o mal terá passado", referindo-se aos efeitos da pandemia de covid-19 no setor, mas aponta que a quebra de 56% estimada para este ano "é um desastre".

"O que nós acreditamos é que o mal terá passado, estão reunidas as condições para a retoma do turismo", afirmou Francisco Calheiros, em entrevista à Lusa.

No entanto, e ainda que o setor tenha entrado numa trajetória ascendente de recuperação com o verão, o responsável descartou "um certo otimismo" de que se tem falado.

"[Perdas de] 63% em 2020, 56% em 2021, é tudo um desastre. Para quem? Para o norte, passando pelas ilhas, as agências, os hotéis, passando pelos restaurantes, é tudo péssimo. [...] 2020 e 2021 foram dois anos terríveis", apontou.

O responsável explicou que, apesar de o mercado nacional ter crescido mais de 6% em julho, o internacional decresceu 76% e, uma vez que o nacional representa menos de um terço da atividade turística, as perspetivas da CTP para 2021 são de quebras de 56%, em relação a 2019.

"Acho que há dados que convém nós termos a noção: o ano de 2020 regressou a 1993. E há um dado ainda mais curioso: o janeiro e fevereiro de 2020 foram iguais aos [do ano] de 74", sublinhou.

Francisco Calheiros destacou o sucesso do processo de vacinação em Portugal, que tem um impacto "enorme" no turismo.

"Sendo nós, neste momento, um destino extraordinariamente seguro, não há razão nenhuma para que não comecemos e retomar já em 2022 o crescimento e todos esperamos que em 2023 consigamos atingir os números de 2019, sem nunca esquecer que os anos 2017, 2018 e 2019 foram anos extraordinários, talvez os melhores anos do turismo português", afirmou.

Assim, o presidente da CTP prevê que os meses de outubro e de novembro sejam melhores do que os do ano passado e que janeiro seja melhor do que o mesmo mês dos dois anos anteriores.

Francisco Calheiros lembrou que, antes da crise provocada pela pandemia, o saldo da balança comercial do país foi positivo por causa do turismo, com uma contribuição de cerca de 12.000 milhões.

"A balança [comercial] tomou uma proporção tal que conseguiu que todas as outras atividades -- que são deficitárias -- com o turismo, a balança de Portugal fosse positiva. E isto para a imagem de um país é extremamente importante", realçou.

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