Economia

CIP junta-se a Marcelo e repete apelo: “São precisos mais incentivos à iniciativa privada”

"São necessários apoios mais robustos à economia portuguesa, é fundamental que as medidas anunciadas cheguem às empresas, é crítico que as medidas se mantenham por tempo suficiente", diz a Confederação Empresarial de Portugal.

“Portugal não pode cair para a cauda da Europa”. É assim que a CIP - Confederação Empresarial de Portugal lançou esta sexta-feira um apelo ao reforço dos apoios à iniciativa privada, aproveitando o mote lançado pelo presidente Marcelo Rebelo de Sousa.

"O Presidente da República pediu mais incentivos ao investimento privado para que Portugal não se compare com as economias mais frágeis da Europa" e a CIP faz questão de vir dizer que "secunda as afirmações" proferidas no encerramento do seminário “Potenciar os efeitos dos fundos europeus na economia nacional”, a 21 de julho.

Assim, em comunicado, a confederação dá destaque especial a duas das frases do PR: “Temos de visar como objetivo crescer o mais possível para convergirmos com a média europeia e, mais ainda, cuidarmos que as economias menos competitivas do que a nossa não nos superem uma a uma, atirando-nos para a posição estranha de podermos continuar a dizer que nos aproximamos da média europeia, mesmo se caindo para a cauda da listagem dos Estados membros”, é uma das citações escolhidas.

Ir mais longe

A outra incide sobre o investimento privado, uma vez que o presidente salientou a necessidade de “assumirmos coletivamente, e com permanência, que importa criar mais estímulos ao investimento privado”, sobretudo tendo em consideração o “peso esmagador das micro, pequenas e médias empresas” em Portugal, mas também das grandes empresas”, facto que justifica que “se vá muito mais longe em termos de incentivos ao investimento”.

"São necessários apoios mais robustos à economia portuguesa, é fundamental que as medidas anunciadas cheguem às empresas, é crítico que as medidas se mantenham por tempo suficiente e é tempo de Portugal ter também instrumentos dirigidos ao reforço do capital das empresas, como sucede noutros países", diz a CIP.

"Destacamos ainda a consonância com Sua Excelência o Presidente da República quando afirmou que “não se trata de preferir mais ou menos estado, mais ou menos privado ou estatal”, mas sim de “dar sinais mais fortes para que se torne mais produtivo e competitivo o tecido empresarial português e para que se cresça mais”, criando condições para eliminar limites “em termos de competitividade, disponibilização de recursos para melhorar estruturas degradas nos sistemas sociais” e para garantir “condições de combate à pobreza, correção de desigualdades e melhor justiça social”, acrescenta.

PRR sempre na mira

Convicta de que "o progresso económico, social e humano não tem ideologia", a CIP reafirma a "total disponibilidade das empresas para continuar a contribuir para o progresso e desenvolvimento de Portugal".

E insiste no PRR: "devemos olhar no imediato para a concretização do Plano de Recuperação e Resiliência, alertando que o tempo das medidas de política económica não se coaduna com o tempo das empresas. O Governo tem de passar rapidamente do plano à concretização, uma vez que nos próximos nove anos, Portugal terá de executar, em média, mais de seis mil milhões de euros anuais de fundos europeus, incluindo o PRR, contra os três mil milhões que tem vindo a executar nos melhores anos"

Esta ambição, conclui a Confederação liderada por António Saraiva, "apenas será realizável se contar com participação ativa das empresas".