Economia

Comissão de inquérito ao Novo Banco. “Nunca dizem todos a verdade toda”

Opinião

A análise de José Gomes Ferreira.

O presidente do Conselho de Administração do Novo Banco foi quarta-feira ouvido no Parlamento na comissão de inquérito às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução.

António Ramalho diz que a atribuição dos prémios é uma "polémica perdida" e informa ainda que a instituição deverá pedir mais de 100 milhões de euros ao Fundo de Resolução, relativos a 2021.

José Gomes Ferreira afirma que “fica sempre muito por explicar” neste processo, criticando que “nunca dizem todos a verdade toda”. Questionado sobre os prémios, diz que António Ramalho esclarece apenas “parte da verdade” quando refere a quem atribuiu os prémios, mas considera que falta explicar a razão pela qual foram atribuídos.

“Já estamos todos fartos desta novela”, diz José Gomes Ferreira.

Perdas no Novo Banco

O Novo Banco foi criado em agosto de 2014 na resolução do Banco Espírito Santo (BES). Em 2017, aquando da venda de 75% do banco à Lone Star, foi criado um mecanismo de capitalização contingente, pelo qual o Fundo de Resolução se comprometeu a, até 2026, cobrir perdas com ativos 'tóxicos' com que o Novo Banco ficou do BES até 3.890 milhões de euros.

O Novo Banco já consumiu 2.976 milhões de euros de dinheiro público e, pelo contrato, pode ir buscar mais 914 milhões de euros.

A instituição teve prejuízos de 1.329,3 milhões de euros em 2020, um agravamento face aos 1.058,8 milhões registados em 2019. Já quanto ao valor a pedir ao Fundo de Resolução, o Novo Banco indicou que serão 598,3 milhões de euros.