Economia

Prémios no Novo Banco. "Bom senso universal não tem existido há bastantes décadas no setor financeiro"

Opinião

A análise de José Gomes Ferreira à atribuição de prémios para a equipa de gestão do Novo Banco.

José Gomes Ferreira considera que não há justificação para a atribuição de quase 2 milhões de euros para a equipa de gestão do Novo Banco.

"O bom senso universal não tem existido há bastantes décadas no setor financeiro", afirma, acrescentando que "sempre se fez pagar muito acima daquilo que a economia real contribui".

O editor de Economia da SIC, lembra que aconteceu nos grandes bancos do Reino Unido e de Inglaterra, mesmo em época de crise. E diz que "socialmente" não é admissível.

"Estas situações não podem passar em claro, têm de ser analisadas", defende.

No entanto, José Gomes Ferreira considera que a instituição tem "profissionais excelentes", incluindo gestores, e que a equipa esforça-se "muito" na perspetiva financeira.

"Às vezes um gestor que termine um mandato numa empresa com cinco milhões de prejuízo pode ser melhor que aquele que está ao lado numa empresa que tem 20 milhões de lucro", afirma.

A administração do Novo Banco vai receber um bónus de 1,86 milhões de euros. O valor é referente a 2020, ano em que o banco registou prejuízos de 1.329 milhões de euros.

O governador do Banco de Portugal já disse não ver com bons olhos esta prática, uma vez que o Estado tem feito sucessivas injeções de capital no Novo Banco.