Economia

França vai mesmo taxar gigantes digitais

Francois Mori

Senado francês acaba de aprovar introdução de impostos a 30 grupos, que incluem não só a Google, Amazon, Facebook ou Apple, como a Meetic, a Airbnb, o Instagram ou o grupo francês Criteo

o ministro da Economia francês, Bruno Le Maire

o ministro da Economia francês, Bruno Le Maire

POOL New

30 grupos e mais de mil milhões em receitas fiscais adicionais

O Parlamento francês adotou hoje a introdução de um imposto sobre os grandes grupos digitais, tornando a França um dos primeiros países a impor este tipo de taxa, apesar da pressão norte-americana.

O texto foi adotado através da votação final no Senado francês.

O imposto deve ser aplicado a trinta grupos, incluindo Google, Amazon, Facebook e Apple, bem como Meetic, Airbnb, Instagram ou o grupo francês Criteo, e gerar receitas fiscais para o Estado francês de 400 milhões de euros em 2019 e 650 milhões em 2020.

Decididos a pressionar, os Estados Unidos anunciaram na quarta-feira que iniciaram uma investigação sobre os efeitos desse imposto estabelecido unilateralmente pela França, enquanto aguardam um acordo a nível internacional sobre a taxação a estas empresas.

A investigação, baseada nas conclusões alcançadas, poderia levar a uma retaliação dos EUA.

"Entre os aliados, podemos e devemos resolver as nossas diferenças para além das ameaças", disse Le Marie, apontando que foi a primeira vez na história das relações entre os Estados Unidos e a França "que o Governo dos Estados Unidos decidiu abrir uma investigação ao abrigo do artigo da lei do comércio (Secção 301)".


Uma ameaça que provocou uma forte reação do ministro da Economia francês, Bruno Le Maire.

"Quero reiterar aos nossos parceiros norte-americanos que isto deve ser um incentivo para que acelerem ainda mais o trabalho na solução internacional para a tributação digital em toda a OCDE", disse Le Marie.

Mas esta solução unilateral pretende ser apenas temporária, dependendo do resultado das negociações internacionais.

"Teremos dentro de 10 dias o G7 dos ministros das Finanças, que será realizada em Chantilly, e o secretário do Tesouro dos EUA vai estar presente. Vamos acelerar o trabalho a nível internacional, encontrar uma solução comum, encontrar uma solução ao nível da OCDE e passar a acordos no lugar de ameaças", declarou o ministro francês.

Em termos concretos, este imposto visa empresas que geram receitas de mais de 750 milhões de euros nos seus negócios digitais em todo o mundo, dos quais 25 milhões de euros podem estar vinculados a utilizadores localizados na França.

O objetivo é chegar a um acordo final até 2020, um avanço conseguido através da mudança na postura dos Estados Unidos, que estavam a bloquear as negociações há anos.

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