Cultura

Aumento da quota de música portuguesa nas rádios é bom ou mau para o setor?

Iryna Shev

Iryna Shev

Jornalista

Edgar Ascensão

Edgar Ascensão

Repórter de Imagem

A Associação para a Gestão e Distribuição de Direitos diz que sim, mas as rádios temem que a medida provoque o enfraquecimento do meio.

De um lado, o argumento principal é que a medida vai ajudar financeiramente os músicos portugueses.
Do outro, explica-se o receio de que a obrigatoriedade de passar mais música nacional possa fazer com que o público se vire mais para as plataformas de streaming de música.


Isto porque, de acordo com José Luís Ramos Pinheiro, do Grupo Renascença Multimédia, Portugal não tem um mercado suficientemente amplo para conseguir criar uma programação que cumpra os 30% impostos pela atualização da Lei da Rádio de 2006.


"Portugal, para os 10 milhões que tem, se quisesse ter, por exemplo, uma quota semelhante ou paralela a outros países, devia ter 5% ou 10% de quota de música portuguesa. Porque nós não temos a quantidade, por razões óbvias. Tem a ver com a dimensão do país, não temos a quantidade de produção de música que 50, 60 ou 70 milhões de italianos, espanhóis ou franceses efetivamente proporcionam. E temos as mesmas 24h." Explica José Luís Ramos Pinheiro.


Um argumento que não faz sentido para a Audiogest - Associação para a Gestão e Distribuição de Direitos. É o que diz Miguel Carretas: "Quando as rádios passaram para os 25% não perderam audiência, aumentaram. Não perderam receita, aumentaram. Porque é que, agora, por uma diferença de 5%, de repente, as rádios vão falir, vão perder audiência e vão perder receita?"


A medida foi anunciada na semana passada pela Ministra da Cultura, Graça Fonseca.