Cultura

Sessão de Cinema: “Polar Express”

Este é o actor Tom Hanks em versão digital... e a caminho do Pólo Norte

Suzanne Tenner

João Lopes

João Lopes

Crítico de Cinema

Eis um mundo de fantasia centrado na viagem de um comboio muito especial, a caminho da terra do Pai Natal — “Polar Express” é o resultado de uma das várias colaborações entre o realizador Robert Zemeckis e o actor Tom Hanks.

Por mais estranho que possa parecer, este garboso e muito tradicional revisor de comboio é… Tom Hanks. Enfim, não exactamente o actor que conhecemos através das imagens de títulos como “Forrest Gump” (1994) ou “O Náufrago” (2000), ambos de Robert Zemeckis, mas um Tom Hanks “manipulado” por sofisticados efeitos especiais.

É uma imagem de “Polar Express” (2004), um conto fantástico que agora pode ser visto ou revisto numa plataforma de streaming. A realização volta a pertencer a Zemeckis, confirmando o seu particular empenho na rentabilização visual e dramática dos mais modernos recursos digitais (aliás, recentemente ilustrado por “As Bruxas de Roald Dahl”). Afinal de contas, na sua filmografia destaca-se “Quem Tramou Roger Rabbit” (1988), precisamente um título revolucionário nas técnicas de tratamento das imagens cinematográficas.

“Polar Express” baseia-se num conto infantil de Chris Van Allsburg, publicado em 1985. A acção decorre em 1956 e tem como figura central um menino que, na noite de Natal, começa a duvidar da existência do Pai Natal… Até que, em frente à sua casa, aparece um comboio (Polar Express) cujo maquinista o convida para uma viagem ao Pólo Norte. Onde? À terra do Pai Natal…

Utilizando a chamada “motion capture” — técnica de animação que parte de imagens filmadas com actores, depois tratadas como se fossem desenhos animados —, “Polar Express” convida-nos, assim, para um universo de fantasia que antecipa muitas proezas técnicas de filmes dos mais variados géneros.

Na trajectória de Zemeckis, em registos semelhantes, seguir-se-iam, por exemplo, “Beowulf” (2007), “Um Conto de Natal” (2009) e “Bem-Vindos a Marwen” (2018). Os recursos aplicados são de tal modo variados que permitem a Tom Hanks interpretar vários outros papéis, incluindo o maquinista e o Pai Natal.

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